10 de dezembro de 2023

Dois meses depois do início da guerra de extermínio contra a população de Gaza, o mundo assiste a uma das maiores tragédias da história contemporânea: mais de 18 mil mortos (70% de crianças e mulheres) e 48.700 feridos, 365.000 residências completamente destruídas ou parcialmente danificadas, 176 locais de culto, 11 padarias e 339 instituições de educação aniquilados, 26 dos 35 hospitais paralisados e 87 ambulâncias inoperantes como resultado de ataques diretos, além de 130 membros das Nações Unidas e 207 funcionários do sistema de saúde, assim como mais de 80 jornalistas assassinados pelos bombardeios do exército de Israel.

Quarenta mil toneladas de bombas lançadas (duas vezes mais do que o material atômico despejado sobre Hiroshima e Nagasaki) num espaço do qual não se pode sair e onde há uma completa carência de água, luz e comida criaram um cenário com um milhão e oitocentos mil refugiados, muito propício à proliferação de toda a sorte de doenças e epidemias.

Na Cisjordânia, outro território palestino sob ocupação de Israel, o rápido crescimento da violência desencadeada pelos colonos israelenses – onde em dois meses já ocorreram 3.365 presos e quase 200 mortos – já prenuncia um pogrom palestino.  

Embora este não seja o primeiro ataque que sofre de Israel – o enclave se encontra sob bloqueio de seu ocupante desde 2005 – este pode ser considerado de longe como o mais letal.  

Nas contínuas guerras que têm sido movidas nos últimos tempos pelos Estados Unidos e Israel contra populações muçulmanas em que atuaram como verdadeiras potências coloniais, não se pode esquecer também os ataques perpetrados contra a cidade de Jenin e Fallujah, localizadas respectivamente na Cisjordânia e no Iraque.

O artigo a seguir, Lembra de Jenin? E Fallujah?, publicado em 11 de janeiro de 2015, aparentemente não perdeu a sua atualidade apesar do tempo decorrido.

 

    Lembra de Jenin? E Fallujah?

 

 

19 de novembro de 2023

Um mundo dividido e o grande capital acima de tudo

No dia 29 de outubro deste ano, cerca de três semanas após a invasão de Gaza pelo exército de Israel, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou em discurso:

Nós estamos nos defrontando com um ponto de inflexão na história. Um destes momentos em que as decisões que tomamos hoje irão determinar o futuro nas décadas que virão.

Se o ponto de inflexão é o momento em que uma função muda de tendência, consideremos, por exemplo, o momento em que numa estrada sinuosa o motorista corrige a direção do volante para acompanhar a mudança da curva da esquerda para a direita ou vice-versa.

O que estaria, então, querendo dizer o holograma Joe Biden, conhecido por suas gafes e comentário impróprios? Quais são as correções que a política norte-americana estaria fazendo diante das curvas que se apresentaram em seu caminho?
Talvez a recente visita do presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, que acaba de ocorrer em São Francisco, possa indicar algumas das respostas a esta questão. Continua

 

15 de novembro de 2023

 

Os grandes cemitérios sob a Lua*

 

No final do filme Lawrence da Arábia, que narra como o colonialismo inglês – com o apoio dos franceses – dividiu entre si o Oriente Médio, o político inglês Dryden (Claude Rains), ao deixar uma sala de reunião, se depara com o jornalista Lowell Thomas, que lhe pergunta por Lawrence (Peter O’Toole). O político responde que o que está ocorrendo na sala é um conflito de personalidade entre Lawrence e o general Edmund Allenby (Jack Hawkins). E acrescenta:

– Um é meio louco e o outro é totalmente sem escrúpulos.

Esta parece ser exatamente a situação que determina no momento a continuidade do massacre em curso na Palestina, perpetrado pelo exército de Israel.

De um lado, temos um presidente de um poderoso país (Joseph Biden) que apresenta claros sinais de confusão mental e, de outro, um político sem nenhuma integridade moral, considerado também como um contumaz mentiroso (Benjamin Netanyahu), que luta para escapar da cadeia e se aferra a uma estratégia de aniquilamento do adversário como um meio para sobreviver na vida pública. Continua

 

3 de novembro 2023

 

Desde o último dia 7 de outubro, o mundo assiste impassível ao massacre de um povo em sua luta contra uma das últimas reminiscências do velho colonialismo europeu que praguejou o planeta por muitos séculos: o combate dos palestinos contra o sionismo, uma brutal ideologia racista e de discriminação social e econômica, executada com a ampla colaboração dos governos dos Estados Unidos e dos países europeus.

 Em resposta ao grupo de resistência Hamas, o exército israelense desencadeou um bombardeio que até o dia de hoje lançou 11.000 ataques e causou a morte de 9.061 habitantes de Gaza. Isto representou até o momento:

 41 bombas a cada hora,

37 jornalistas mortos,

3.760 crianças assassinadas (uma a cada 10 minutos),

12 edifícios destruídos a cada hora,

15 pessoas mortas a cada hora,

36 pessoas feridas a cada hora,

462 famílias com quatro mortos cada

e mais de 40 famílias em que todos os membros foram mortos.

 Isto sem contar o que vem ocorrendo na Cisjordânia, onde mais de 2.000 palestinos foram presos e mais de 120 já foram assassinados pelos colonos da região.

 Sobre este assunto, gostaria de convidá-los também a ler um artigo escrito em 15 de março de 2012 sobre a cultura de violência que está integrada ao modo de vida dos povos agressores.

Estados Unidos, OTAN e Israel: Meu Ódio Será Tua Herança

 

 

17 de outubro de 2023

 

Há mais de uma semana, o mundo assiste ao brutal bombardeio da população de Gaza pelo exército de Israel após um ataque do grupo Hamas, que foi trombeteado pela imprensa corporativa e corrupta como uma ação terrorista, mas que deve ser visto como uma legítima reação de um povo massacrado há mais de 75 anos, quando 750.000 palestinos foram colocados em trens e expulsos das terras que ocupavam há séculos, entregues então a colonos judeus.

Em resposta a essa ação do Hamas, o exército israelense lançou até agora mais de 6.000 toneladas de bombas matando acima de 2.300 pessoas, inclusive 724 crianças, em bombardeios sobre prédios residenciais, escolas, hospitais, mesquitas, universidades e cidadãos em fuga. O Estado judeu intensificou ainda o seu devastador bloqueio de Gaza cortando todo o fornecimento de comida, água, eletricidade e combustível, no que se constitui em um claro ato de genocídio.

Durante a sua preparação para a invasão do território palestino, muitas autoridades de Israel vêm utilizando uma retórica que pede a completa limpeza étnica do local. Segundo um alto funcionário, o plano de Israel é forçar os palestinos a se dirigirem ao “quase infinito espaço do Sinal, do outro lado de Gaza, onde eles podem viver em cidades de tendas”. O presidente do país afirmou ainda que: “não há inocentes civis em Gaza”. Invocando a limpeza étnica de centenas de milhares palestinos antes e depois da fundação de Israel, em maio de 1948, no episódio conhecido como Nakba (“catástrofe”) o parlamentar israelense Ariel Kallner disse que Israel tem um objetivo: "uma Nakba que se torne ainda maior do que a de 1948".

Em outro episódio, Ayelet Shaked, um ministro do governo de Netanyahu, conclamou Israel a não apenas exterminar todas as crianças palestinas, a quem chamou de “pequenas serpentes”, mas também matar as mães que lhes deram a vida.

No entanto, quando os árabes com os limitados recursos que lhes restam confrontam todo o ódio que lhes é movido, Israel é descrito como a vítima e os palestinos são desumanizados e retratados como “animais”.

O artigo a seguir publicado há quase 15 anos, em 7 de janeiro de 2009, mostra a continuidade da política genocida de Israel e como o Brasil sob a presidência de Luís Inácio da Silva, tanto em 2009 quanto nos dias de hoje não assume uma postura claramente crítica aos planos de extermínio da população palestina de Gaza, executados por Israel e pelos Estados Unidos. (SAS)

 

Genocídio como política de Estado

 

 

 

25 de fevereiro de 2023

Um ano de guerra na Ucrânia: globalistas ou multilateralistas? *

Em artigo publicado no início deste mês, o jornalista Seymour Hersch contou que, a 26 de setembro de 2022, uma operação do governo norte-americano – com a colaboração da Noruega – destruiu os gasodutos russos Nord Stream 1 e Nord Stream 2, programados para fornecer 50% de energia à Alemanha.

A imprensa corporativa não atribuiu qualquer importância à informação mas uma parte dos comentaristas independentes estimou que se tratava do maior ato de terrorismo praticado por um país contra outro em mais de um século, especialmente quando se considera que não existe nenhum estado de guerra entre as duas nações.

A Rússia se sentiu no dever de levar a questão ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, um fórum criado originalmente para arbitrar questões desta relevância. Apesar do enorme escândalo que envolve a explosão de uma propriedade de um país executada por um outro, a discussão sobre o fato – como tantas outras anteriores – foi mais uma vez postergada.

Usando as suas habituais estratégias de chantagem, ameaças e suborno, os States bloquearam a iniciativa e contra-atacaram na Assembleia Geral, onde graças à força do dólar como a moeda mais utilizada nas transações comerciais entre os países, ainda mantém a maioria. Em votação realizada no último dia 23 de fevereiro, com o voto do Brasil, a Assembleia Geral desconheceu por completo a explosão dos gasodutos e votou contra o que chamou de “a invasão da Ucrânia pela Rússia”.

O governo de Lulinha da Silva, que vem anunciando que fará uma proposta para um acordo que leve ao fim das hostilidades, embora ainda não o tenha feito formalmente, abriu mão de sua posição de neutralidade, no que divergiu claramente dos outros países do BRICS: China, Índia e África do Sul, que se abstiveram.  Continua

11 de fevereiro de 2023

Lula tira a máscara (e vira um teddy bear* americano)

Este é um ritual que se repete a cada quatro anos. O presidente de uma república situada nos trópicos se dirige à metrópole dominante para se apresentar aos seus superiores e receber algumas instruções destinadas ao exercício de seu mandato.

Nos últimos dias, esse ritual acaba de se repetir. De um lado, Joseph Biden, um veterano político norte-americano que foi guindado à condição de presidente da república numa eleição em que foram apontados vários indícios de fraude. Já curvado ao peso da idade, esse senhor vem apresentando inúmeros sinais de senilidade, comunica-se com o seu país por meio de um teleprompter ou por mensagens de ouvido que lhe são passadas por seus assessores, comete frequentes gafes ao trocar nomes de lugares e confundir fatos históricos, e não se caracteriza por nenhuma originalidade em suas declarações que expressam invariavelmente uma altiva arrogância quando se dirige àqueles que ousam discordar de seus propósitos imperiais.

Sem embargo, muitos observadores em seu país consideram que o poder de que dispõe para o exercício do cargo é muito limitado e seu governo exprime apenas a vontade de grandes grupos econômicos que o levaram ao cargo e que controlam o chamado deep state (estado paralelo) , que rege de fato o establishment norte-americano. Continua

 

13 de março de 2021

No momento em que sete países da Europa e da Ásia - Dinamarca, Noruega, Islândia, Estônia, Lituânia, Luxemburgo, Letônia, Itália e Tailândia - decidem suspender a compra, distribuição e aplicação da vacina da AstraZeneca, também conhecida como vacina de Oxford, em razão do aparecimento de muitos casos de coágulos sanguíneos após a sua inoculação, um grupo de cientistas e médicos enviou uma carta aberta à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) solicitando uma resposta urgente a questões relativas à segurança das vacinas da Pfizer, Moderna e AstraZeneca. (Sérvulo Siqueira)

Segue o texto da carta:

Carta Aberta Urgente de Médicos e Cientistas para a Agência Europeia de Medicamentos sobre Preocupações com a Segurança da Vacina COVID-19 Continua

 

21 de janeiro de 2021

Um conto de Cinderela no coração das trevas

Nos anos 30 do século passado, logo após o crash da Bolsa de Valores de Nova York em 24 de outubro de 1929, a realidade econômica e social norte-americana era assustadora.

Em Hollywood, do outro lado do país, nem tudo parecia tão sombrio para a indústria do entretenimento do cinema que, com sua política de filmes baseada sobre vários gêneros dramáticos explorava o imaginário popular e oferecia uma válvula de escape à população com a produção de comédias de costume recheadas de intrigas no estilo dos filmes de Preston Sturges, esfuziantes musicais com cenas em piscinas, adaptados por Mervyn Le Roy e Busby Berkeley dos teatros da Broadway, operetas de Lubitsch, dramas de Frank Capra e William Wyler e filmes de aventura onde já pontificavam as nascentes estrelas de Gary Cooper, James Stewart e Clark Gable. Não poderiam faltar também os policiais de Howard Hawks (Scarface, entre outros) e as fitas de faroeste de John Ford onde a presença da violência, um elemento constante na história do país, era compensada pela vitória do mocinho no final da narrativa.  Continua

 

12 de agosto de 2020

Muito além da Covid-19

Em letras garrafais, os chamados blogs sujos, na verdade os antigos sites chapa branca dos governos Lula e Dilma, trombeteiam manchetes anunciando que a Covid-19 já provocou mais de 100 mil fatalidades. Na mesma linha, médicos e até mesmo um cientista famoso responsabilizam a inépcia do atual governo pela tragédia.

No entanto, essas informações não podem ser comprovadas porque – como alerta um médico da organização Médicos Por La Verdad − um falecimento somente pode ser atribuído à propalada pandemia se isto for comprovado por uma autópsia. Apesar desse argumento, tanto os partidos políticos de esquerda quanto os de direita – com a prestimosa colaboração dos meios de comunicação − continuam insistindo nos números, com o objetivo de fragilizar psicologicamente os cidadãos e instigar medo no seio da população. Continua

 

3 de agosto de 2020

Mascarados ou Desmascarados?

Apontada em 30 de janeiro de 2020 como uma pneumonia viral pela Organização Mundial de Saúde, a Covid-19 foi transformada em pandemia pouco tempo depois e os métodos de contenção da doença se propagaram de modo quase uniforme por uma grande parte do planeta.

Menos de seis meses desde a sua emergência em diferentes pontos do mundo, a estratégia de combate à doença começa a mostrar a sua verdadeira face e revela uma curiosa simbiose entre as técnicas de investigação policial e de controle da criminalidade e as terapêuticas propriamente médicas e científicas.

Aplicativos de rastreamento de controle de contatos entre pessoas sadias e contaminadas para posterior isolamento dos doentes, triagem de enfermos e sua separação dos entes queridos, criação de redes de monitoramento e vigilância, distância obrigatória de 1,5 a 2 metros, quarentena forçada da população, imposição do uso de máscaras e possível obrigatoriedade de vacinas com a inserção de microchips no organismo, censura aos médicos que ousam discordar das técnicas de profilaxia da doença, sem contar a perspectiva de utilização no futuro do uso da inteligência artificial − na forma de robôs – para tratamento dos pacientes, vão criando pouco a pouco o cenário de uma verdadeira sociedade totalitária. Continua

 

10 de junho de 2020

A morte como fé, não como temor

Observações sobre a PLANdemia da Covid-19

 

É mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que foram enganadas.

Mark Twain

─ O que acha dos médicos? Caso resolva fazer uma pequena pesquisa entre seus amigos e conhecidos mais próximos com essa pergunta, você encontrará certamente as mais diversas opiniões, a maioria delas sendo provavelmente pouco elogiosa, e até mesmo profissionais dessa área da saúde manifestarão desconfiança sobre a conduta de seus colegas.

As razões poderão variar desde o pouco interesse pelo verdadeiro estado do paciente, a falta de competência e conhecimento do assunto, o mercenarismo, o espírito corporativo que norteia o exercício da profissão, responsabilizando o paciente e se eximindo de suas próprias falhas, etc.

Se a reputação de que desfruta a classe médica não pode ser considerada uma unanimidade, como foi que, subitamente, os profissionais da saúde se transformaram em verdadeiros condutores de nossas vidas? O fato é que, desde o mês de janeiro de 2020, fomos entregues aos médicos que – nas suas mais controversas vertentes – assumiram a tarefa de proteger a humanidade da emergência de um uma desconhecida cepa de um vírus já identificado. Continua

 

1° de julho de 2018

Os gladiadores do velho colonialismo e do emergente neonazismo

Um dia após o 14 de julho, em que a gendarmerie francesa – para comemorar a queda da Bastilha em 1789 – impôs um cerco à cidade de Paris, criando assim um universo concentracionário ainda maior do que a antiga prisão, a seleção nacional de futebol da França derrotou, após um jogo conturbado, a equipe representante da Croácia e conquistou a 21ª edição da Copa do Mundo da FIFA.

Com seu time recheado por estrangeiros ou descendentes de imigrantes, a vitória francesa pode ser vista como a afirmação dos valores do velho colonialismo que oprime os povos dominados, saqueia suas riquezas e utiliza sua força de trabalho para seus propósitos de lucro e grandeza sobre a seleção da Croácia, que encarna hoje os valores de eugenia racial praticados no país nascido no final do século 20, onde desde algum tempo se cultiva um conceito de pureza étnica que foi explorado em proveito próprio pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial.

O grande número de gols contra (12) e de penalidades máximas (29) cometido durante os pouco mais de 30 dias do torneio dão bem a medida do caráter defensivista que permeou as partidas. A média de gols por jogo (2,6 por partida), uma das mais baixas da história das Copas – agravada ainda mais pelo fato de que destas anotações 40% delas nasceram de jogadas iniciadas a partir de uma bola parada, o que por sua vez denota a falta de capacidade dos atletas para a prática do jogo coletivo, que constitui a verdadeira essência do esporte − também indica a ausência de habilidade e destreza demonstrada pela grande maioria dos atletas para colocar a bola dentro dos limites de 2,44 metros de altura por 7,32 metros de largura da trave defendida pelo goleiro.  Continua

 

14 de abril de 2018

Piratas do espaço na sociedade do espetáculo

Inglaterra: o império onde o sol nunca nasce.

(James Joyce. Ulisses)

A história não deixará de registrar que na noite de ontem – uma sexta-feira, 13, deste mês de abril – um presidente da república de um país, que vem sendo sucessivamente derrotado nas últimas guerras que empreendeu, anunciou pela televisão um ataque a uma nação por motivos que não foram explicados até hoje e que dificilmente poderão ser cabalmente demonstrados.

Os países agressores alegaram que agiam em represália a um ataque com armas perpetrado pela Síria contra uma população indefesa em um território ocupado por terroristas a mando dos Estados Unidos, Inglaterra e França. Por sua vez, as autoridades sírias afirmam que o objetivo do ataque se deve a uma verdadeira queima de  arquivo, ou seja, à intenção desses países de eliminar os indícios de que o ataque com armas químicas foi executado por seus aliados.  Continua

 

19 de janeiro de 2017

Barack Obama, este já vai tarde...

Amanhã é um dia em que a humanidade deve se encher de júbilo porque o comandante em chefe da maior potência bélica do mundo, criador das operações de aviões não tripulados (drones) que todas as terças-feiras assassinam cidadãos em todo o planeta, mesmo quando eles se encontram em casamentos e funerais acompanhados por pessoas presumidamente inocentes, deixará de exercer este poder.

Eleito sob a aura de mudança (change), Barack Hussein Obama prosseguiu de forma insistente a política belicista de seu antecessor George W. Bushinho e, na verdade, ainda a ampliou ao atacar novos governos seculares do Oriente Médio e do Norte da África, o que levou destruição e morte a estas regiões, causando um fluxo de refugiados que inundou os países da Europa. Continua

9 de novembro de 2016

A derrota da bruxa malvada

O título acima poderia servir como corolário de uma fábula moral em que ‒ ao final ‒ uma criatura malévola termina sendo castigada por suas atrocidades.

Há, no entanto, muitos outros elementos na história. O mais importante deles é que os cidadãos norte-americanos que ontem elegeram maciçamente Donald Trump como o próximo presidente do país não se deixaram levar por uma das mais grosseiras campanhas de manipulação da opinião pública da era moderna. Continua

 

11 de outubro de 2015

Bush and Obama Age of Terror

Bush and Obama Age of Terror, episódio da série Untold History of the US de Oliver Stone, apresentado pelo canal Showtime e reproduzido aqui, aparece de imediato como um golpe político de mestre de seu produtor e diretor.

Enquanto, de um lado, procura conquistar o apoio da esquerda americana e dos pacifistas que rejeitam o estado de terror interno e as prolongadas detenções sem uma justa causa, assim como as contínuas invasões de outras nações, acena com simpatia aos empresários dos Estados Unidos cada vez mais afetados pela aplicação indiscriminada a um número crescente de países e assume muitas de suas críticas ao governo de Barack Obama. .Continua

 

29 de setembro de 2015

Vocês se dão conta do que fizeram?

─ Vocês se dão conta do que fizeram?, perguntou hoje Vladimir Putin na inauguração da 70ª Assembleia das Nações Unidas.

O presidente russo lembrava que ─ com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética ─ o mundo encontrou uma oportunidade para finalmente viver uma era de paz.

A resposta de Barack Hussein Obama tanto pode ser interpretada como o fruto de uma postura arrogante e hipócrita, típica de uma sociedade que vem desde há algum tempo mergulhada numa cultura isolacionista e que se rendeu ao mito de sua própria “excepcionalidade”, como a expressão de uma doença esquizofrênica que tende a ser indicativa de uma progressiva decadência.  Continua

 

28 de setembro de 2015

As imagens na nossa História

As imagens desempenham um papel fundamental na nossa História. Faraós egípcios buscavam preservar na vida e na morte a sua própria imagem. Reis e rainhas se faziam retratar por pintores e escultores e isto tornou possível que artistas de grande talento pudessem sobreviver por meio deste ofício. Durante o Barroco, a Igreja Católica ─ confrontada pela Reforma Protestante ─ preencheu os templos com as mais suntuosas imagens.

Nos dias atuais da “sociedade do espetáculo”, os políticos também se transformaram em estrelas no grande circo do show-business. A 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas ofereceu algumas imagens, registradas pelos fotógrafos da imprensa mundial, que são bem indicativas do momento que vivemos. Continua

 

31 de maio de 2015

Estados Unidos montam a sua Lava Jato num hotel da Suíça

A bombástica e sensacionalista operação da polícia americana num hotel de Zurique não tem nenhuma relação com seus apregoados propósitos: é apenas mais uma cortina de fumaça destinada desrespeitar o direito internacional e mostrar quem é que manda no mundo, ao mesmo tempo em que tenta impedir que seu aliado Israel seja expulso da Fédération Internationale de Football Association (FIFA) por atitudes antiesportivas. Continua

 

 

23 de maio de 2015

Hitler e Mussolini estão vivos e passam bem

Setenta anos depois da II Guerra Mundial e quase um quarto de século após o fim da Guerra Fria, assistimos a uma verdadeira reversão de expectativas.

Vitorioso em ambos os conflitos, os Estados Unidos vivem hoje uma profunda crise econômica, política e moral. Embora ainda seja prematuro fazer projeções, a crise da hiperpotência americana reforça uma tendência já apontada por historiadores como Eric Hobsbawn e Marc Ferro de um deslocamento de poder do Atlântico para o Pacífico, onde os tigres asiáticos vêm há algum tempo impulsionando a economia mundial, e projeta agora a emergência da China como nova superpotência. Continua

 

15 de março de 2015

Traiganme la cabeza de Vladimir Putin, Nicolás maduro, Luís Ignácio da Silva, Evo Morales, Rafael Correa y Cristina Kirchner!

Seria grotesco se não fosse assustador. Depois de terem linchado Muammar Kadhafi, os neocons de Washington, chamados por uns de Senhores do Universo e por outros de cowboys com armas atômicas, voltam-se agora para novos alvos.

Depois de estarem mergulhados em muitas guerras malsucedidas no Oriente Médio e em outra que parece seguir o mesmo caminho no leste da Europa, lembraram-se afinal da América Latina que sempre consideraram como seu quintal.  Continua  

 

11 de janeiro de 2015

Lembra de Jenin? E Fallujah?

Desde há algum tempo, historiadores, sociólogos e pensadores vêm observando o progressivo declínio em que mergulha o Ocidente, com a contínua perda dos seus mais elevados valores. Entre muitos outros, Eric Hobsbawm e Marc Ferro já consideraram que a grande era do Atlântico das navegações, das conquistas e do longo período do colonialismo está chegando ao fim. A atual recessão da Europa tende a agravar ainda mais o quadro, especialmente quando muitos países da União Europeia voltam a recorrer às guerras coloniais, com resultados catastróficos para a paz mundial. Continua

 

 

22 de dezembro de 2014

Cowboys com armas atômicas

O futuro dirá se o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba foi um simples gesto de relações públicas, um reconhecimento da importância do país caribenho ou a primeira etapa de uma estratégia já concebida para a instauração de um novo governo ‒ certamente mais favorável aos Estados Unidos ‒ na ilha.

De qualquer forma, as primeiras reações do governo cubano foram no sentido de que não estava embevecido por tamanha generosidade ianque. A calorosa recepção aos três antiterroristas que permaneceram presos por 16 anos no gulag americano deve ter reavivado no povo cubano a consciência do tratamento que os Estados Unidos vêm dispensando ao regime socialista por mais de meio século. Continua

24 de julho de 2014

O que os corrompidos meios de comunicação brasileiros e internacionais não dizem

Mantido em silêncio pelos órgãos de informação submetidos aos interesses da política belicista dos Estados Unidos e dos delírios genocidas de Netanyahu, o acordo de paz proposto pelo Hamas e a Jihad Islâmica foi ‒ como se previa ‒ recusado por Israel.

Segundo o diário hebreu Maariv, uma fonte importante palestina confirmou que o Hamas e a Jihad Islâmica estariam dispostos a assinar uma trégua de 10 anos com o governo de Tel-Aviv uma vez satisfeitas dez demandas consideradas essenciais para a autonomia de Gaza. São elas:

1. A retirada dos tanques militares de Israel da área da cerca da fronteira, de forma a permitir que os agricultores de Gaza possam ter acesso aos seus campos de plantação para cultivá-los. Continua

 

 

18 de julho de 2014

 Falsas bandeiras e cortinas de fumaça

A quem interessava o recente sequestro de três adolescentes nos assentamentos ilegais de Israel? Certamente não ao Hamas e ao Fatah, organizações que tem uma posição de liderança nos territórios ocupados de Gaza e da Cisjordânia e que, após um longo período de disputas e conflitos, haviam acabado de celebrar um acordo para um governo de unidade.

Embora a ação tenha sido negada com veemência por esses movimentos, foi com muita surpresa que o mundo viu o primeiro ministro de Israel acusá-los como culpados pela ação e, em seguida, deflagrar uma violenta operação de bombardeio que já matou até o momento mais de 200 seres humanos, 80 % deles inocentes civis, mulheres e crianças em sua maioria.  Continua

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3 de março de 2014

Dark Color "Revolutions"

Speaking about the United States, the great leader of the Cuban Independence, José Martí, said once: "I know the monster because I had lived inside its guts". Based on this comment − which took place in the second half of the 19th century − we might understand how the American interference in Latin America dates back to such a long time.  

During the 20th century the US did even worse than during Spanish-Cuban War: they toppled dozen of elected governments − from Guatemala, in 1954, to the most recent case of Paraguay, in 2012 − besides supporting lots of dictatorships like that of Sargent Fulgencio Batista – who took over the power in Cuba aboard an American warship – and the clan of the Somozas, in Nicaragua, to the Brazilian and Argentinian generals, and in addition shot Allende, Omar Torrijos, sacked the natural resources of many countries, etc.. Continua

 

 

9 de setembro de 2013

Mais uma mentira, mais uma guerra

Para quem se acostumou a inventar mentiras para justificar agressões militares contra países como o Vietnã do Norte, o Iraque, o Afeganistão, entre outros, não é surpreendente que os Estados Unidos estejam agora fabricando mais esta esfarrapada aleivosia contra a Síria, o que lhe dará a oportunidade de despejar alguns milhares de novos mísseis de última geração no país árabe.

O que parece surpreendente é que desta vez não contam com apoio da Inglaterra e que seu presidente se mostre cada vez mais tímido e inseguro, quase envergonhado por se sentir empurrado pelo lobby judeu e a indústria da guerra para mais uma aventura militar em que, contrariamente a outras oportunidades, poderá enfrentar um povo e um exército mais organizados e coesos..Continua

 

 

23 de novembro de 2012

O mundo no trapézio

Quem viveu nas décadas de 1960 e 1970 as lutas dos movimentos da contracultura e do socialismo não poderia imaginar que trinta anos depois o século seria subitamente abreviado com o fim dos sonhos que o acalentaram.

Assim como o colapso do socialismo real na antiga União Soviética, em 1991, marcou o fim do antigo milênio, um outro desabamento, o das torres gêmeas do World Trade Center na cidade de Nova York, em 2001, estabeleceu o início do século 21. A clara conexão entre esses dois acontecimentos aparentemente tão díspares determinou a atmosfera de insegurança, turbulência, instabilidade política e de confrontação militar que caracterizou os primeiros anos do novo milênio. Continua

 

 

28 de agosto de 2012

Drogas, histeria e barbárie entre os novos cruzados do Ocidente na Síria e na Líbia

O Réseau  Voltaire divulga as imagens  de um massacre perpetrado contra uma família que se recusou a colaborar com os fanáticos muçulmanos armados pelos Estados Unidos, OTAN, Arábia Saudita e Qatar que estão no momento destruindo a Síria. Como já foi observado várias vezes, estes combatentes mercenários originários de outros países da região, são arrebanhados em regiões muito pobres, possuem um nível cultural e de escolaridade extremamente baixo e fazem do ofício de matar um instrumento da sua própria sobrevivência.

Como observa o jornalista Thierry Meyssan, dado o enorme grau de paroxismo e violência que a sua ação comporta, somente podem praticar estes atos depois de ingerir uma grande quantidade de drogas pesadas. Continua

 

 

21 de julho de 2012

Qualquer semelhança não é mera coincidência

O jornalista Thierry Meyssan, do Réseau Voltaire, anuncia que a batalha de Damasco deve se iniciar nas próximas horas. De acordo com o analista, ela foi precedida pela entrada na Síria de 40 mil a 60 mil mercenários, que começam a ocupar pontos estratégicos na capital.

Esses grupos muito bem armados oriundos do Iraque, da Líbia e do Líbano são compostos por militantes da Al Qaeda e soldados dos exércitos regulares da Arábia Saudita e do Qatar que contam com a assessoria técnica e equipamento de guerra dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A Turquia também desempenha um importante papel como coordenadora da operação e base de operações. Continua

18 de julho de 2012

A torta de maçã da globalização neoliberal

Nenhum país caracterizou melhor as contradições da nossa época do que os Estados Unidos da América. Apresentando-se como o paladino da liberdade e da democracia, é a nação em toda a face da Terra que possui o maior número de prisioneiros – mais de dois milhões de reclusos vivendo em universos concentracionários sob administração privada onde a tortura não somente é admitida mas até entronizada como uma prática de Estado. Continua

18 de março de 2012

O ator como político: George Clooney, cabo eleitoral de Obama?

Nascido como um meio de comunicação de massas, o cinema sempre esteve ligado ao poder.

O celebrado slogan There is no business like show-business (Não há melhor negócio do que o entretenimento) é apenas uma das expressões que caracterizam esta relação de mútua sedução.

Em Hollywood, onde essa usina de sonhos encontrou a melhor forma de expressão, as estrelas – verdadeiros deuses do Olimpo – aspiram à beleza e à fama eternas, cercadas por muitos e sofisticados objetos de consumo. 

Se o cinema anseia pela beleza e o sucesso, necessita ainda mais do poder político. Continua

 

 

15 de março de 2012

Estados Unidos, OTAN e Israel: Meu Ódio Será Tua Herança

Quem observa com atenção a história da Europa, dos Estados Unidos da América e dos povos semitas pode constatar que a violência não é estranha ao seu passado. Ainda no século 20, enquanto os europeus do rei belga Leopoldo II barbarizavam o Congo, americanos bombardeavam os filipinos e judeus massacravam palestinos para retirá-los de aldeias onde haviam vivido por séculos. 

Desde o início do novo milênio, não se passa um dia sem que o eixo Estados Unidos/Organização do Tratado do Atlântico Norte/Israel desfira petardos contra diferentes regiões do planeta, matando ou mutilando dezenas de seres humanos. Essa postura política vem chamando a atenção de analistas e líderes mundiais, a ponto do atual primeiro-ministro e futuro presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter se referido recentemente a um “culto da violência”. Continua

 

 

24 de outubro de 2011

O “honorável” Barack Obama

A divulgação da correspondência recente entre Muammar Kadhafi e alguns dirigentes mundiais revela detalhes pouco conhecidos.

Ao nosso filho, o honorável Barack Hussein Obama,

Como eu afirmei anteriormente, mesmo que – Deus permita que isto não aconteça – haja uma guerra entre a Líbia e a América, você continuará a ser meu filho e eu ainda continuarei a amá-lo. Eu não quero mudar a imagem que tenho de você. Todo o povo da Líbia está comigo, pronto a morrer, até mesmo as mulheres e as crianças. Nós estamos lutando contra nada menos do que a Al Qaeda, no que eles chamam de o Maghreb Islâmico. É um grupo armado que está combatendo da Líbia à Mauritânia, e ao longo da Argélia e do Mali... Diga o que você faria se os encontrasse ocupando as cidades americanas pela força das armas?

Desde o início do milênio não se passa um dia sem que o eixo Estados Unidos/Organização do Tratado do Atlântico Norte/Israel desfira petardos contra diferentes regiões do planeta, matando ou mutilando dezenas de seres humanos. Essa postura política vem chamando a atenção de analistas e líderes mundiais, a ponto do atual primeiro-ministro e futuro presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter se referido recentemente a um “culto da violência”. Continua

 

 

 

22 de outubro de 2011

De Roma à Líbia

Começam a ficar claros alguns detalhes da operação que assassinou o líder líbio Muammar Khadafi.

A visita da secretária de estado americana Hillary Clinton a Trípoli poucos dias antes não se destinou a emitir uma ordem para sua captura mas, na verdade, a fornecer os dados obtidos pela CIA sobre sua localização e a coordenar a operação que levou à sua execução.

Em entrevista a um canal de televisão, a secretária de Estado dos Estados Unidos, que o jornal Pravda de Moscou chama de "a bruxa malvada do Ocidente", riu folgadamente quando foi informada da morte do dirigente. E parafraseando o ditador romano Júlio César, assegurou. Continua

20 de outubro de 2011

Traiganme la cabeza de Muammar Khadafi!

A neo-sionista Hillary Clinton visitou Trípoli recentemente e, na cidade, declarou extasiada:

 – A Líbia é um país dotado de imensas riquezas. Vamos ajudar seus habitantes a se livrar da dependência do petróleo e a explorar todo o potencial do país.

Na prática, todos sabemos o que isto significa: a pilhagem dos recursos naturais do país africano pelos vampiros brancos dos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Continua

 

4 de setembro de 2011

As entranhas da besta

Imagine o seguinte cenário: um grupo separatista fortemente armado assume o controle militar do Rio Grande do Sul e proclama a independência do estado. Naturalmente, o governo federal envia tropas para a região, visando retomar o controle dos bens ocupados e desalojar os rebeldes. 

O presidente da França se declara então preocupado com a situação e diz temer pela vida dos rebeldes. Ao mesmo tempo, o primeiro mandatário dos Estados Unidos e o recém-empossado primeiro-ministro da Inglaterra convocam seus aliados para uma reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).  Continua

22 de agosto de 2011

Relato do jornalista Thierry Meyssan, do Réseau Voltaire, presente em Trípoli, dá conta dos últimos acontecimentos ocorridos na capital líbia.

Carnificina da OTAN em Trípoli

"No sábado, 21 de agosto, às 20:00 horas, ou seja quando a hora do Iftar marcava a quebra do jejum do Ramadã, a Aliança Atlântica lançou a Operação Sereia.

As Sereias são os arautos das mesquitas que foram utilizados para fazer um chamado da Al Qaeda à revolta. Imediatamente, grupos de rebeldes que se mantinham inativos entraram em ação. Trata-se de grupos com grande mobilidade que multiplicaram os ataques. Os combates da noite fizeram 300 mortos e 3000 feridos." Continua 

19 de agosto de 2011

 Achtung Líbia!

A agência de notícias Reuters está anunciando que a ONU pede a todos os cidadãos estrangeiros que deixem a cidade de Trípoli, na Líbia. A nota – como todas as informações desta agência – é ambígua e contraditória. Ao mesmo tempo em que diz que as forças rebeldes apoiadas pelo Ocidente estão de aproximando da capital, a agência dá conta de que estão sofrendo pesadas baixas impostas pelo exército de Khadafi.  Continua

 

 

9 de maio de 2011

Um país que precisa de inimigos

O jornalista Alexander Cockburn levanta uma hipótese impressionante: se um bombardeio líbio – por um acaso – tivesse conseguido burlar a estreita vigilância das baterias antiaéreas britânicas e – na linha da mesma estratégia utilizada pela OTAN, que considera um líder político de um país inimigo como um alvo de guerra – bombardeasse a cerimônia de casamento do príncipe William e da duquesa Kate, inúmeras figuras da realeza, e inclusive a noiva, poderiam ser abatidas e estimadas apenas como "dano colateral", embora o primeiro-ministro e o príncipe – na sua condição de oficial da Organização do Atlântico Norte – pudessem até escapar ilesos.

Como se sabe, a explicação apresentada pela OTAN, ao justificar o bombardeio da casa de Saif Al-Arab Kadhafi – que o matou, assim como a três de seus filhos menores – concluiu que a ação foi plenamente legal embora não tivesse atingido o seu objetivo final, que era o assassinato de Khadafi. Continua

17 de junho de 2011

A velha guerra de baixa intensidade

A prometida prosperidade do capitalismo neoliberal não se confirmou. Vinte anos depois do colapso do socialismo soviético, as antigas potências coloniais da Europa, os Estados Unidos e o Japão mergulham em uma abissal crise econômica.

À medida que a crise se acentua, esses países recorrem a métodos cada vez mais violentos e predatórios contra suas próprias populações e as nações pobres e emergentes do Terceiro Mundo. As nefastas terapêuticas de corte de gastos e privatizações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial – cuja eficácia nunca se comprovou na África e na América Latina – começam a ser aplicadas sob crescentes protestos nos países periféricos da União Europeia, enquanto os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) despejam contínuas bombas na população civil da Líbia ao mesmo tempo em que proclamam estar realizando “missões humanitárias”. Continua

 29 de abril de 2011

As razões da derrubada de Khadafi

Um artigo de Manlio Dinucci no Il Manifesto, da Itália, publicado no último dia 22 de abril , lança algumas luzes sobre os obscuros motivos da intempestiva invasão da Líbia por algumas potências coloniais. À parte as já conhecidas razões de ordem estratégica – reservas de petróleo estimadas em 60 bilhões de barris e gás natural calculado em 1 bilhão e meio de metros cúbicos – os grandes fundos soberanos do pequeno país africano também teriam atraído o apetite dos abutres do novo colonialismo americano-europeu. Continua

17 de março de 2011

Saqueando a Líbia

Quase cem anos depois do início da Primeira Guerra Mundial, cujo desdobramento de eventos mereceu da historiadora norte-americana Barbara Tuchman o epíteto de “a marcha da insensatez”, políticos sem nenhum escrúpulo, chefes militares ambiciosos e oportunistas de todas as espécies parecem levar o planeta a um novo conflito global. Em meio a uma imensa crise econômica, guerras civis disseminadas por vários países do Terceiro Mundo, a destruição dos últimos recursos naturais da Terra e a iminência de uma nova catástrofe nuclear, a falida Organização das Nações Unidas (ONU) decide em sessão relâmpago ampliar ainda mais a área de conflitos do planeta e declarar guerra a uma nação do norte da África.  Continua

 

 

11 de fevereiro de 2011

Primavera árabe

Meu general, já temos a nossa liberdade. Agora, o que faremos com ela? Frase atribuída por um entrevistado da CNN a um manifestante da Praça da Libertação, no Cairo.

Por 30 anos, o Exército e Hosni Mubarak reprimiram as manifestações populares, encarceram e mataram os opositores do regime e impediram a livre expressão de pensamento no Egito.

Agora, aproveitando-se de um movimento amplamente popular no País, os Estados Unidos mandaram as Forças Armadas derrubar o velho parceiro Mubarak e prometer exatamente aquilo que impediram por tanto tempo: liberdades democráticas, eleições livres e críticas da oposição. Continua

 

 

 de dezembro de 2010

Wikileaks

A revelação de mais de 250 mil documentos pelo site Wikileaks, a maior parte deles já contendo informações de conhecimento do público, deve ser vista com cuidado e analisada com muita atenção. Emerge naturalmente a velha pergunta de origem latina: A quem beneficia?, já que percebe-se nos documentos uma clara intenção de mostrar o apoio que Israel e os Estados Unidos desfrutam no mundo árabe para um possível ataque ao Irã. Embora o plano – hoje já disposto nos seus menores detalhes e em marcha acelerada – não seja explicitamente mencionado, os papéis filtrados mostram uma estreita relação de Israel com vários países árabes e um amplo consenso entre eles, quando não um verdadeiro apoio logístico para um devastador ataque à República Islâmica. Continua

 

 

26 de novembro de 2010

Os novos piratas

O anúncio do novo conceito estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deve ser encarado com seriedade e temor por todos os povos – em razão dos perigos que representa para a paz mundial. 

Além de se constituir numa excrescência jurídica e política – já que a aliança militar assume agora objetivos que não fazem parte do seu âmbito de ação – a expansão da organização indica de maneira clara a sua intenção de se sobrepor, subverter e até mesmo negar a existência da Organização das Nações Unidas como a instituição que congrega os países e zela pela segurança e harmonia dos povos da terra. Continua

20 de novembro de 2010

Bases militares, McDonald's e Lady Gaga

Carl von Clausewitz escreveu que a guerra é o último recurso da diplomacia. Nos dias de hoje, poderia dizer que a estratégia militar é o último recurso da guerra econômica. Coincidentemente, os recentes acordos de expansão da ação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que acabam de ser celebrados em Lisboa, revelam uma clara estratégia de dominação projetada pelos países que se encontram exatamente no epicentro da grande crise econômica mundial. Continua

19 de novembro de 2010

O capitalismo e suas crises cíclicas

Nuvens sombrias se movimentam sobre o horizonte europeu, ameaçando a economia mundial. O poder destrutivo do sistema financeiro, cujo efeito de contaminação se alastra, parece ser um monstro gerado pelo neoliberalismo que como nas superproduções de Hollywood ressurge sempre no momento em que é eliminado.

Desta vez é a Irlanda – há pouco mais de 15 anos apresentada como o paraíso onde a maior parte da indústria farmacêutica e de informática se instalou – hoje transformada no novo cenário da crise econômica e financeira mundial. Continua

22 de junho de 2009

A revolução em videoclipe

Em Moscou, depois de fazerem uma manifestação diante do túmulo de Stalin, jovens militantes chineses são agredidos pela polícia soviética. No dia seguinte, na sede da embaixada chinesa e diante de toda imprensa ocidental (especialmente repórteres de Life, France Soir, etc.), aparece uma pessoa com o rosto completamente enfaixado e que fala com emoção:

– Vejam, vejam o que me aconteceu, vejam o que esses revisionistas me fizeram!  Continua

 

8 de fevereiro de 2009

O novo Muro de Berlim

No prefácio do livro Os últimos combates de Robert Kurz, publicado no Brasil pela Editora Vozes em 1997, o ensaísta Anselm Jappe escrevia textualmente: 

O capitalismo está chegando ao fim. A prova: a queda da União Soviética. (...) O colapso dos regimes do Leste não significa o triunfo definitivo da economia de mercado, mas um passo ulterior em direção ao ocaso da sociedade mundial da mercadoria.

Mais de dez anos depois, a crise financeira americana, que se espalhou rapidamente pela Europa e Ásia, expõe a primeira grande derrota do modelo neoliberal. Por outro lado, os gigantescos muros que separam Israel da Palestina e os Estados Unidos da América do território do México, e a carnificina deixada em Gaza após sua invasão por forças do exército de ocupação sinalizam a nova estratégia que começam a assumir as guerras coloniais. Essa estratégia se acentua à medida que a crise se agrava e as potências dominantes têm necessidade de se apossar de uma maior quantidade de território e de recursos estratégicos dos países periféricos. Continua

7 de janeiro de 2009

O genocídio como política de Estado

A enorme exibição de força destrutiva aplicada por Israel no bombardeio e invasão do território palestino, depois de um prolongado cerco de quinze meses que impediu a entrada de comida e o abastecimento de água e luz, pode na verdade ser também uma demonstração de fraqueza.

A escolha da data da ação militar – três dias após o marco histórico milenar em que os cristãos rememoram o nascimento do Filho de seu Deus – mais tarde entregue pelos judeus à autoridade romana para ser executado – não esconde a tentativa de criar um fato político que leve à vitória do Kadima, partido no poder criado pelo general Ariel Sharon, nas próximas eleições. Situado em segundo lugar nas pesquisas, atrás do Likud, agremiação de extrema direita de Benjamin Netanyahu, e assolado por acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Ehud Olmert, o Kadima necessita exorcizar os fantasmas dos colonos judeus trazidos principalmente da Europa Oriental sob o argumento da Terra Prometida – ainda que isso se faça com o emprego de uma monumental força militar – e estabelecer a paz em uma região conturbada por longos anos de conflito, mesmo que esta possa ser a paz dos cemitérios.  Continua

 

  27 de outubro de 2008

A vida sequestrada

A imagem ainda está muito viva na memória, apesar do longo tempo decorrido: numa noite fria do Natal de 1991, uma limusine russa corta as ruas de Moscou levando Mikhail Gorbatchev, o presidente que havia renunciado, de volta para casa. Depois de quase 70 anos, estava dissolvida a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Surgia a Comunidade de Estados Independentes, uma ficção política e jurídica e o “império do mal”, como foi chamado por Ronald Reagan, se tornava da noite para o dia um país capitalista. Continua

8 de outubro de 2001

Fragmentos de um manuscrito: diário de uma guerra fabricada

O primeiro dia depois dos ataques americanos ao Afeganistão, um dos países mais pobres da terra. Será esse o começo de uma nova era? Rumores de uma possível guerra bacteriológica nos Estados Unidos da América (EUA), não muito diferente das que os americanos fabricaram em Cuba, no Vietnã e em outros países do planeta. O feitiço estará se voltando contra o feiticeiro? Fala-se de um novo tipo de conflito: a guerra assimétrica, enquanto o cenário de medo parece ser a atmosfera que nos reserva o futuro. Continua