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20 de julho de 2026
A Copa ianque
Aconteceu exatamente como havia sido programado. Desde o início, pela
distribuição das seleções nas chaves eliminatórias, ficou claro que a
FIFA (Fédération
Internationale de Football Association,
por sua sigla em francês) excluía a hipótese de uma final entre o Brasil
e a Argentina, que somente poderiam se encontrar – na melhor das
hipóteses – na semifinal. Como a nossa seleção perdeu da Noruega nas
oitavas, não pôde jogar com a Inglaterra, que veio a enfrentar a
Argentina.
Tudo
dava a entender – como sugeria a tonitruante imprensa corporativa, as
previsões de todo o tipo, inclusive da infame IA, que os espanhóis
levariam a Copa. E foi o aconteceu... Para isso, contaram até com a
colaboração passiva da equipe argentina, que apresentou o seu pior
desempenho no torneio.
A
partida final, que provavelmente se inscreve na história das Copas como
uma das piores já realizadas, se tornou assim o encerramento à altura de
uma competição extremamente mal organizada, e que pode ser caracterizada
como aquela que mais desrespeitou a tradição secular do esporte mais
popular na face da Terra.
A
participação do VAR, uma instituição destinada a observar violações das
regras do jogo – mas que interferia algumas vezes na partida e em outras
oportunidades deixava passar faltas clamorosas; a novidade introduzida
da pausa para a hidratação – que passou a ser chamada de
pausa para os comerciais; as
más arbitragens; a flagrante interferência política em proveito próprio
do criminoso de guerra Donaldo
Trampo; o tratamento indigno da seleção do Irã, proibida de
permanecer no território do país onde estava competindo; o impedimento
do juiz somali de atuar na competição; a violação das regras da
competição, que alongou um intervalo tradicional de 15 minutos para
inserir um insípido e decadente espetáculo musical de meia hora,
acabaram por se constituir no cenário perfeito para uma Copa do Mundo de
Futebol que já se converteu no primeiro passo para a desmoralização
completa da competição.
Uma
retrospectiva histórica certamente há de lembrar que esta não foi a
primeira vez em que o poder do grande capital, a corrupção e as
interferências políticas se imiscuíram na competição. Desde que se
tornou um negócio bilionário, o futebol perdeu muito de sua
espontaneidade, em torno da qual se criou no passado até mesmo uma aura
poética.
Sabemos que a bicampeonato mundial de 1938 da Itália insuflou o fascismo
de Mussolini, assim como as vitórias do Brasil, em 1970, e da Argentina,
em 1978, contribuíram para o prolongamento dessas desastrosas ditaduras
na América Latina.
No
entanto, a Copa da FIFA que acaba de se encerrar certamente se
inscreverá como aquela que mais danos deve causar à reputação do
esporte, pelo desrespeito que impôs a essa prática esportiva.
Com
sua política destrutiva, onde se sobressai a prática do
bullying, os Estados Unidos
vêm nas últimas demolindo de forma persistente as melhores iniciativas
que a humanidade tem produzido.
Foi
assim com a Organização das Nações Unidas (ONU), hoje uma instituição
completamente desmoralizada, incapaz de se impedir a barbárie que Israel
– em conluio com seu aliado norte-americano
– vem praticando na Palestina.
Mais
recentemente, os gringos se apoderaram das duas mais importantes
entidades esportivas existentes: o Comitê Olímpico Internacional (COI) e
a FIFA.
No
Comitê Olímpico Internacional, forjaram acusações – em muitos casos sem
nenhum fundamento – contra a Rússia, com o propósito de eliminá-la das
competições internacionais, o que conseguiram até há pouco tempo.
Quanto à FIFA, desde maio de 2015, o governo americano passou a
controlar a instituição quando uma operação da polícia norte-americana
invadiu um hotel da Suíça onde se realizava o 65° Congresso Mundial da
FIFA, que deveria discutir uma suspensão ou a expulsão de Israel do
quadro de membros da entidade por denúncias de que “restringe a
movimentação de jogadores entre a Margem Ocidental e Gaza”, assim como
utiliza medidas de segurança para manter uma política racista de
apartheid”, conforme relatório
apresentado no Congresso.
O
representante da Palestina na entidade afirmava também que a situação na
Margem Ocidental hoje é “bem pior do que na África do Sul nos anos 1960
porque grupos de extrema direita e extremistas em Israel querem apagar (delete, em inglês) a Palestina”.
Ao
final do espetáculo da mais recente edição da Copa USA-México-Canadá,
enquanto Donaldo Trampo e o presidente de FIFA, Gianni Infantino, eram
vaiados na cerimônia de premiação no momento em que cumprimentavam os
vencedores, aqui no Brasil se escutavam o estourar de rojões, certamente
de brasileiros felizes com a derrota do nosso vizinho mais próximo.
Ressentimento ou inveja do nosso concorrente no esporte, que apesar de
derrotado foi muito mais longe na competição e deu uma demonstração de
luta que não fomos capazes de produzir?
Com
uma realidade política e social muito semelhante, o bordão de um antigo
locutor esportivo se aplica igualmente tanto para nós, brasileiros,
quanto para os “hermanos” argentinos, e serve como lição para o futuro:
– Agora, não adianta chorar. Vai buscar lá dentro!
Sérvulo Siqueira
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