8 de novembro de 2020

O Partido Democrata e sua longa história de golpes

 

 Há vários indícios de que os Estados Unidos começam a se contaminar com o mesmo veneno que inocularam em dezenas de países durante muitas décadas: golpes de estado, fraudes nas eleições e, mais recentemente, as “revoluções coloridas” patrocinadas por George Soros, um dos financiadores do Black Lives Matter, organização politica que vem destruindo inúmeros bens públicos no país.

Depois de uma bizarra campanha e precedido pela eclosão de uma pandemia que atingiu menos de 1% da população mas provocou a paralisação de 193 países, um tumultuado processo eleitoral pode conduzir à vitória de Joe Biden, um candidato praticamente virtual que raramente participou de atos públicos durante a campanha e em razão disso recebeu o apelido de Sleepy Joe (Zé Dorminhoco), dado por seu oponente.

As condições em que vêm ocorrendo a apuração deste obscuro processo são no mínimo esdrúxulas, quando não se caracterizam verdadeiramente por apresentarem facetas de uma grosseira fraude. Após o primeiro dia de apuração, quando todos os indicadores apontavam uma vitória do atual presidente norte-americano Donald J. Trump, subitamente os votos que faltavam à Biden ressurgiram nas urnas, chegando até mesmo a ultrapassar o número de eleitores inscritos em muitas seções, o que levou seu adversário a imediatamente denunciar essas irregularidades.

Nada disto deveria se constituir em surpresa para quem vem acompanhando o processo eleitoral, uma vez que Hillary Clinton – a notória (K)illary, a bruxa malvada do Ocidente – e Nancy Pelosi, que não fica nada a dever em maldade à outra, já haviam anunciado que Donald Trump, mesmo que ganhasse as eleições, em hipótese alguma permaneceria na Casa Branca.

Pouco a pouco criou-se a sensação de que um golpe de estado poderia vir a ocorrer no país que por décadas urdiu, planejou e executou as mais diversas quebras de ordem constitucional nos mais remotos cantos do planeta. Para alcançar esse objetivo constituiu-se o grupo Transition Integrity Project (Projeto de Integridade da Transição) – considerado a princípio como suprapartidário mas na verdade formado basicamente por membros do Partido Democrata − que projetou um cenário de caos destinado a fabricar as condições necessárias para a retirada de Donald Trump do poder.

Embora procure dar a impressão de que apresenta uma análise isenta do quadro político vigente na nação norte-americana, o resumo executivo produzido por esta associação sugere – em linha com o próprio nome do grupo – que não se vislumbra nenhuma outra solução para o impasse criado pela eleição que não seja a transição pura e simples do poder das mãos do Partido Republicano para o controle do Partido Democrata.

Como o documento indica que a apuração não se encerrará na primeira noite – como acontece habitualmente − e não se espera que Trump reconheça a vitória do adversário, várias alternativas de uma transição pacífica são apresentadas: uma delas, por exemplo, considera a possibilidade de uma anistia para os crimes cometidos pelo presidente e sua família, caso este não ofereça muitas resistências. O trabalho propõe que se, por outro lado, Trump persistir em continuar na Casa Branca, este deverá ser forçado a sair escoltado por uma força militar, como já foi afirmado em algumas ocasiões por membros do Partido Democrata.

No entanto, as coisas podem não correr exatamente como planejaram os Democratas e suas think-tanks. Se, por seu turno, os Republicanos conseguirem provar as denúncias de fraudes: votos irregulares contabilizados fora do prazo legal, cédulas favoráveis a Trump não consideradas na apuração, máquinas de votar programadas para roubar eleições, votos por correio sem qualquer carimbo da instituição sendo considerados legais, etc. haverá necessidade de uma recontagem de votos e. então, o resultado final poderá sofrer uma drástica alteração.

Caso isto venha a acontecer, existe a possibilidade de que o projeto golpista dos Democratas poderá ser claramente revelado. Em qualquer circunstância, o modo como foi organizada a campanha do Partido Democrata – alicerçada sobre um volume de recursos em dólares muito mais elevado que o dos Republicanos – a condição física e mental de seu candidato em um estado de quase senilidade, a sua situação de candidato meramente virtual e com um mínimo de exposição pública, somados às declarações frequentes de seus membros de que não reconhecerão em hipótese alguma a vitória de seu adversário, revelam um total desprezo pela população dos Estados Unidos e sua clara disposição de virar o jogo se algo inesperado vier a ocorrer.

No Brasil, a nossa antiga esquerda – que hoje apoia em larga medida as proposta do atual sátrapa no poder, como a entrega da base de Alcântara e a autonomia completa do Banco Central – se extasia com uma possível vitória de Zé Dorminhoco Biden, esquecendo-se ou talvez até lembrando-se, mas fingindo não saber, que este mesmo quidam − a mando de seu chefe Barack O’Bomber – foi um dos articuladores do golpe contra Dilma Rousseff em 2016. Finge não saber também esta esquerdalha – que hoje faz jus ao epíteto – que o próprio Barack O’Bomber contribuiu decisivamente para derrubar o presidente Manuel Zelaya de Honduras e Fernando Lugo do Paraguai, durante os dois períodos de seu mandato como Presidente dos Estados Unidos, época em que criou as infames “kill lists”, em que eram escolhidos aqueles que seriam liquidados pela ação dos drones americanos controlados à distância.

A nossa esquerda, além de muito mal informada e em parte corrupta, costuma cultivar a ilusão de que o Partido Democrata americano – por se contrapor a uma outra agremiação de tendência notoriamente conservadora – pode ser considerado como tendo algum resquício de esquerda. Este ledo engano talvez pudesse ter alguma justificação ainda nos anos 60 e 70 do século passado, quando essa agremiação poderia se gabar de ter em seus quadros políticos como George McGovern, Eugene McCarthy e Robert Kennedy, além do conservador Wiliam Fulbright – que se opunha de forma veemente à enorme influência de Israel sobre a política americana − e o liberal Frank Church – que desvendou muitas iniquidades do FBI e da CIA −, o que entretanto não impediu os governos de John Kennedy e Lyndon Johnson de invadir Cuba , intensificar os combates na guerra do Vietnã e promover golpes na República Dominicana e no Brasil, em 1964.

Hoje, não há mais nenhum sinal de personalidades políticas como estas, uma vez que todas − com exceção de Jimmy Carter, com mais de 90 anos, e Bill Clinton, convertido num velho pedófilo − já saíram de cena e não encontraram substitutos à altura. O retrospecto desses ex-presidentes  em suas administrações tampouco é dos mais meritórios: Carter (1977-1981) iniciou as hostilidades contra o Irã em 1979, um conflito que já dura mais de 40 anos; Clinton (1993-1997 e 1997-2001) desrespeitou a constituição da Uniâo Europeia ao bombardear indiscriminadamente alvos civis - escolas, hospitais, estradas de ferro e de rodagem, embaixadas e estações de televisão - na antiga Iugoslávia em 1999, entre outros crimes.

Só restaram figuras sombrias como a notória (K)illary, a não menos perversa Pelosi, a sinistra Susan Rice, a grosseira Victoria Nuland, Samantha Power, a possível herdeira Kamala Harris – mulheres sem nenhum carisma ou apelo pessoal − e neocons de plantão como Robert Kagan, marido de Victoria, além da triste figura de Biden, emerso em sua Alzheimer em estado adiantado, e seu antigo chefe Barack Hussein O’Bomber.

Todos eles estiveram juntos em 2014 na deposição do presidente constitucional da Ucrânia, Viktor Yanukovytch, quando instalaram as milícias nazistas do Svoboda e do Pravy Sector no poder. Mais tarde, Biden viria a chantagear o presidente títere Poroshenko, ameaçando não conceder um empréstimo de 1 bilhão de dólares caso o Procurador-Geral do país, que pretendia processar seu filho, Hunter, por enriquecimento ilícito e tráfico de influência, não fosse demitido. Estes fatos, voltaram a aflorar ao final da campanha eleitoral mas foram convenientemente sepultados por toda a imprensa corporativa, composta por estes mesmos meios de comunicação que no momento proclamam a vitória dos Democratas antes da hora.

Recentemente, estes golpistas foram acrescidos de outros velhos praticantes dos mesmos estratagemas: alguns membros do Partido Republicano, como os que deflagraram a guerra contra o Iraque apoiados em torpes razões que jamais se provaram verdadeiras se juntaram – sob o nome de Never Trumpers – à essa legião para urdir e promover outro golpe, desta vez sob a disfarce de uma eleição presidencial.

É uma anedota muito conhecida – quase uma piada – a história de alguém que pergunta a um outro:

− Porque que não acontecem golpes de estado nos Estados Unidos da América?

Ao que o outro responde:

− Porque nos Estados Unidos não há embaixada americana.

Parece que o Partido Democrata está em vias de mudar esta história.

No futuro, quando alguém perguntar:

− Porque que já ocorrem golpes nos Estados Unidos?

Outro poderá responder:

− Porque nos Estados Unidos existe o Partido Democrata.

Como o Partido Democrata do Tio Sam, a nossa esquerdalha tupiniquim se deixou contaminar pelo poder e não manteve nenhuma coerência em suas intenções, o que abriu espaço para a ascensão de sua nêmesis, a direita mais totalitária. Não fomos capazes de nos espelhar no exemplo de Ho Chi Minh quando se recusou a participar da Conferência de Genebra de 1954, alegando que não iria decidir numa mesa de negociação o que havia sido conquistado com o sacrifício do povo de seu país e justificou sua decisão, afirmando:

Se eu quero os fins, eu também quero os meios compatíveis com estes fins.

O comportamento da esquerda no Brasil, após anos de oposição primando pela afirmação de uma postura de mais escrúpulos no trato da coisa pública e do levantamento de bandeiras por uma mudança nos hábitos da política lembrou a frase de Kurt Vonnegut de que "os seres humanos são como chipanzés que se tornam ébrios loucos quando no poder".

Resta indagar se, afinal de contas, o que é que esta turma tem que possa ser considerado como melhor do que Trump. A resposta é que, infelizmente para o povo norte-americano, não há mais – se é que algum dia chegou a haver – mocinhos nesta história.

Este é um cenário que, provavelmente, não terá um final ao estilo de Hollywood. Mas cuja conta terminará sendo paga pela população mais simples e menos favorecida, já que os banqueiros continuarão recebendo os seus trilhões de dólares.

 

Sérvulo Siqueira

.