25 de outubro de 2024

Mais uma traição de Lula

 

Não é a primeira vez que o Brasil, sempre girando "na órbita do colosso do Norte”, foge covardemente à sua responsabilidade de se aliar aos seus vizinhos do continente e trai aqueles que também vivem sob o mesmo jugo ianque. Sob a capa de uma suposta liderança na América Latina, o nosso país tem sido um traidor recorrente da Pátria Grande proposta por Simón Bolívar e vem sistematicamente sabotando os projetos de integração da América Latina.

Nosso malsucedido Bananão, longe de se integrar e promover a unidade latino-americana, tem sempre atuado historicamente desta forma, e não podemos esquecer a nefanda Guerra do Paraguai em que – sob o comando da Inglaterra – as nossas forças armadas do Brasil Império mataram mulheres e crianças e contaminaram os rios com tifo e cólera a serviço do imperialismo anglo-saxão.

Mais de cem anos depois, Lulinha da Silva atendia um pedido de George W. Bush e enviava tropas do Exército Brasileiro para conter a revolta da população do Haiti contra a deposição de seu presidente Jean Bertrand Aristide. Os militares  brasileiros permaneceram no país por 13 anos, durante os quais massacraram os membros do Partido Laval, do presidente deposto, e também foram acusados de contaminar os rios com doenças infecciosas.

Hoje se pergunta: por que estaria Lulinha da Silva, a pretexto de defender os princípios democráticos, se opondo à entrada da Nicarágua e da Venezuela nos BRICS+? Em troca de um assento no Conselho de Segurança? Ou por que espera conquistar os eleitores de direita no pleito municipal do próximo domingo?

Mas por que não se opôs à entrada da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Egito, os quais não se pode considerar como exemplos modelares de democracia?

Sempre com anseio de serem colocados entre os mais poderosos que nos oprimem, os governos de nossa História têm consistentemente traído os nossos vizinhos e, ao invés de fortalecer os laços que nos unem na região, vêm optando por acordos bilaterais que nos submetem aos EUA e frequentemente comprometem a nossa já fragilizada soberania.

O fracassado governo de Lulinha da Silva não fugiu a este paradigma e também traiu os seus antigos aliados como, aliás, já vem fazendo em relação aos eleitores que o escolheram (?) há dois anos.

Em um ato de vergonhosa vassalagem e, pior ainda, sob a esfarrapada desculpa de um acidente doméstico - que levantou suspeitas entre muitos jornalistas internacionais - não demonstrou sequer coragem de enfrentar o seu homólogo venezuelano, e deixou de comparecer à reunião em Kazan para não ser obrigado a confrontá-lo quando este lhe pedisse maiores explicações.

Ou, por outra: teria sido esta condição que os democratas de Washington (Biden, Blinken et alii) tenham estabelecido para retirá-lo da prisão em Curitiba e o recolocado no provisório trono presidencial?

Como político experiente que é, Lulinha da Silva deve ter consciência de que entre todos os crimes que a política tolera há um que dificilmente é esquecido: a traição. Temos, inclusive, uma palavra para isto, na verdade uma gíria, que certamente ele não gostaria de receber como epíteto: traíra.

Talvez acredite que a memória do povo é curta – o que é verdade – e que com a entrada de novos membros nos BRICS+ irá encontrar um semelhante na figura de Recep Tayyip Erdogan, outro notório traidor que a despeito de seus inúmeros crimes vem mantendo uma longa carreira política como a sua, mas seus adversários no Brasil não esquecerão o triste papel que agora protagoniza.

Pior ainda, poderá ser visto, até mesmo por seus parceiros da organização, como um cavalo de Troia ou alguém preparado pelo imperialismo americano para implodir a nascente aliança dos BRICS+. Muitos analistas acreditam inclusive que, sob a presidência do Brasil, a agenda da organização, amplamente impulsionada sob a gestão russa que se encerrou com a cúpula de Kazan, deverá sofrer um retrocesso em razão dos compromissos de Lula com o Ocidente e sua submissão aos ditames de Washington.

Corre alguns riscos. entretanto: é possível que os novos membros do BRICS+ venham a perceber durante a  nova gestão que se inicia as artes e truques deste verdadeiro mago da prestidigitação política, o que poderá comprometer a imagem que Lulinha da Silva  projetou no exterior de político de grande popularidade ligado às causas dos mais humildes,  e que no Brasil consegue iludir até mesmo os mais fervorosos partidários de esquerda do PT.

Além de vetar a entrada da Venezuela nos BRICS+, numa atitude de extrema mesquinhez e ingratidão, já que Nicolás Maduro foi um dos poucos chefes de estado que lhe prestou a maior solidariedade durante sua prisão em Curitiba, Lulinha da Silva condenou a Operação Especial na Ucrânia, entregou o controle da Amazônia à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que vem realizando manobras militares na região, e rompeu relações com a Nicarágua, país que sofre grandes pressões por seus acordos econômicos e militares com a Rússia e a postura independente que vem adotando diante dos States.

No entanto, se conseguir escapar das inúmeras tempestades políticas que irá enfrentar no futuro próximo, que certamente serão armadas pelos seus próprios aliados, terá que responder – ou aquele que indicar como seu sucessor – aos mais de sessenta milhões de eleitores que o escolheram para mudar a política de seus antecessores por que não reviu a privatização da Eletrobrás e vem cortando verbas da saúde e da educação, ao mesmo tempo em que favorece os bancos e o capital estrangeiro.

Dotado de toda essa astúcia, há algo de que Lula não deve se esquecer: pelo Brasil afora, no sábado de Aleluia, os Judas são malhados e até, eventualmente, queimados.

 

                                                                                    Sérvulo Siqueira

 

 

 

 

.