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7 de outubro de 2010
Jesus Cristo para Presidente
ou, quem sabe, o Diabo para
Primeiro-Ministro?
Enquanto escrevo estas linhas, está em marcha o mais sinistro plano de
toda a história do Brasil. Seus personagens? Os latifundiários agrupados
em torno da União Democrática Ruralista (UDR), responsável pelo
assassinato de milhares de camponeses nesse País; militantes das
organizações protofascistas Tradição, Família e Propriedade e Opus Dei;
criminosos do colarinho branco; banqueiros parasitas sugadores do sangue
do povo; vendilhões da pátria entrincheirados num partido chamado PSDB;
traficantes de notícias autoproclamados defensores da imprensa livre;
comunas arrependidos do antigo Partidão hoje engajados numa espécie de
leninismo de direita; ex-stalinistas travestidos de ecologistas; ONG’s
financiadas pelo império americano; ladrões, escroques e fraudadores de
todas as espécies e até um ex-presidente da República. Seus objetivos?
Tomar de assalto por qualquer meio o Estado Brasileiro para se apoderar
de seus recursos e de suas riquezas – bacias sedimentares ricas em gás e
óleo, reservas internacionais acumuladas com dividendos da exportação de
commodities, etc. – e
entregá-los aos seus senhores na América do Norte, na Europa e no Japão
em troca de uma pequena comissão.
Não tendo conseguido realizar o seus plano no primeiro turno das
eleições presidenciais de 3 de outubro, esta camarilha tão heterogênea
urde no momento os mais sórdidos expedientes para atingir seus
objetivos. Conta para isso com apoios poderosos na sociedade brasileira,
especialmente entre os seus setores mais ricos, justamente aqueles que
durante quase toda a história deste País se enriqueceram às custas da
miséria dos mais pobres, que foram mantidos sempre na condição de
ignorantes dos seus próprios direitos e – quando rebelados – duramente
massacrados sob a mais extrema violência.
No momento, não pensam em se servir da violência. Sua estratégia é mais
sutil embora não menos perigosa: consiste em se valer da mentira,
exaustivamente repetida como forma de persuasão. No entanto, isto não
quer dizer que estejam dispostos a abrir mão das velhas táticas do
passado. O que não querem é perder os privilégios que conquistaram
durante tanto tempo. Na verdade, por uma pontinha de má consciência que
ainda subsiste, temem que os que padeceram tanto durante muito tempo
possam se vingar das maldades que sofreram. Por temer um ajuste de
contas, se aproximam daqueles que sempre exploraram com palavras doces
mas falsas, pretextando amizade, simulando solidariedade, pregando
falsas profecias que nunca se cumprirão. Só fazem isso porque são tempos
de eleição: precisam do apoio do povinho que desprezam.
Embora possam ser muito convincentes, a falsidade e a mentira
orquestradas de forma muito organizada não são o bastante: é necessário
também aniquilar o adversário. Para isso, torna-se imperioso que ele
seja completamente desmoralizado, o que terminará proporcionando a
justificativa para a sua liquidação final. Como então encontrar o
pretexto para o seu extermínio, a sua obliteração, como uma vez afirmou
a Secretária de Estado americana Hillary Clinton? Nada melhor do que
reduzi-lo à condição de um demônio, a própria personificação do Mal na
ótica maniqueísta dos zelotes religiosos. Como fazer isto, então?
Simplesmente, opondo-os à vida, catalogando-os como a expressão de um
perigoso satanismo.
Este plano já foi posto em prática durante o mês de setembro, que
antecedeu as eleições do último dia 3 de outubro, e certamente irá
prosseguir até as eleições do 2º turno. Entretanto, como não foi
suficiente para levar os seus partidários à vitória, é provável que
venha acompanhado de outros ardis, potencialmente ainda mais perigosos.
Nesse momento, o País inteiro se pergunta o que ainda está por vir, o
que pode acontecer.
Sabe-se apenas que este inescrupuloso saco de gatos político trama novos
planos para enganar a opinião pública e continuar a preservar os seus
privilégios. As próximas 3 semanas e meia serão decisivas para a
História do nosso País. Em breve, teremos que escolher entre duas
tendências do modelo neoliberal capitalista: um projeto de entrega das
riquezas da nação aos países mais poderosos, ou a política em curso no
momento, executada pelo governo de Lula da Silva, que cria mais empregos
e aumenta a capacidade aquisitiva dos mais necessitados, com o aumento
da reserva de recursos para investimento no País e a maior participação
do Estado na atividade econômica.
Quando se compara os dois exemplos mais recentes – o governo de Fernando
Henrique Cardoso que vigorou no Brasil de 1995 a 2002 e a atual
administração de Luís Inácio Lula da Silva – as diferenças soam
clamorosas. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e sensibilidade
humana percebe que o Brasil saiu de uma situação catastrófica e melhorou
nos últimos quase 8 anos. Quem são os verdadeiros demônios e onde é que
eles estão? Com que armas se escondem os falsos profetas? Como separar o
joio do trigo, segundo a parábola bíblica? Vamos esperar que os bem
intencionados não se enganem com falsas representações, ídolos de barro
e sepulcros caiados.
Sérvulo Siqueira |